sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cubo Mágico

Não se fala de outra coisa.
É o assunto do momento.
Você corre para lá.
Eles correm para cá.
Buscam desesperadamente a informação.
Alguns até se vendem para encontra-lá.
Não se fala de outra coisa.
É uma grande correria.
Eles procuram até achar e quando acham todos dizem a mesma coisa.
Não se preocupam com o excesso ou com a mesmice causada pelo o assunto.
E não falo só daquilo que você consegue entender.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quebra-cabeça

Vamos tentar organizar.
Tudo aquilo que pensar.
Sua vida está corrida.
Não tem mais como parar.
Os pensamentos invadem sua mente.
Não há tempo pra mais nada.
Você precisa organizar.
E entender que existe uma razão e que nada é em vão.
Você precisa organizar ou a sua cabeça vai pirar.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Incondicional

Não me venha com esse papo.
O que você enxerga com seus olhos marejados, eu vejo todo dia no café da manhã, com sorriso na cara.
A superação não deseja a sua pena.
A superação não quer suas lágrimas por piedade.
Faz tempo que vejo as palavras gaguejadas, os gestos descordenados e a canção incorreta com a suprema felicidade do olhar.
Esse olhar , muitas vezes, impuro, impróprio e desumano enxerga naquele tombo a alegria mais incrível do planeta.
Não pelo tombo em si, mas sim pela ação que o procede.

terça-feira, 29 de março de 2011

Nas entrelinhas

E tudo foi por água abaixo.
Mas, não falo do Japão.
Estou falando da súbita sensação que enlouquece a mente nada lúcida daquele cara.
Ele se perdeu na escuridão imensa do céu azul.
Não escuta mais ninguém.
Vive pelos cantos, buscando respostas em cada esquina delirante da cidade que vive acordada.
Ele continua vagando por ai, buscando aquela luz na profundeza infinita da sua própria cabeça.
Sua fraqueza destroçou seu coração.

Samba da Alma

Dona Dalva já não sabe mais sambar.
Sem alma, não consegue mais bailar.
O batuque do pandeiro, não consegue fazer aquela senhora requebrar.
Dona Dalva não samba mais.
Vive angustiada por ai, por aqui.
Não tem mais alegria.
Vive sofrendo,chorando e tem dor.
Sem alma.
Tá bamba, na terra do samba.
Já não dança mais, sofre assim.
Não samba não.
Dona Dalva não tem mais coração.

sábado, 26 de março de 2011

Fora da ordem

O que é , é!
Mas, pode ser que não.
Aquilo que já foi, não é mais.
E nunca voltará a ser.
Aquele que não é, sonha em parecer ser.
E a gente no meio dessa confusão.
Buscando a lucidez de forma enlouquecida.
Chorando e sorrindo.
Andando e correndo.
De pé ou sentado.
Qual é a próxima estação?
Todos os caminhos te levam ao mesmo lugar, ou não!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

As minhas crônicas que nunca foram crônicas

Era um quarta-feira,o sol batia na minha a janela e a fumaça esbranquecia a visão.O telefone toca e era o Fábio;
- Alô?-eu atendi.
- Fala cabra, tudo bom?Preciso de uma ajuda. Hoje eu tenho aula e preciso entregar uma crônica, eu sei que você tem vários textos!- continuou o amigo
-E? -respondi com a pulga atrás da orelha.
-Você poderia me emprestar algum?
-Claro que sim!Pode escolher.
Eu tinha pensado no sucesso,até que enfim alguem iria ler o que eu escrevia.
Fábio chegou aqui em casa e já foi procurando.
-Gostei desse!-disse ele.
-Esse é bom , faz duras críticas ao sistema que vivemos.- eu estava me achando o "poeta"
E lá se foi meu texto,junto com Fábio em direção ao mundo.
Uma semana passou e o telefone toca.
- Alô?
-Fala cabra, beleza?
-Sim!
-Adivinha quanto eu tirei usando o seu texto?
Eu sem pensar responderia 10, mas usei da minha humildade e disse;
-8
Uma risada soa ao fundo.Fabio gargalhava.
-Cara, eu tirei 0 - ele disse.
-A professora falou que aquilo era um artigo.Nossa tirei 0.
Eu envergonhado , sem saber onde colocaria a cara, disse:
-Eu falei!Eu sabia que era um artigo!Você deveria ter pesquisado.E agora?
-Ela vai me deixar fazer de novo.-respondeu com um sorriso sarcástico nos grandes lábios.
E eu fiquei ali com textos ,sem chão e com crônicas que nunca foram crônicas.