sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Esquecer

O que você vai levar da vida?
Esqueça seus carros. 
Esqueça o bolso da sua calça importada. 
Esqueça da marca da sua carteira de couro de boi argentino.
Esqueça do seu travesseiro com penas de ganso espanhol. 

ESQUEÇA! 

Esqueça da sua bebida preferida que não tem gosto de nada mas o preço é alto.
Esqueça dos três talheres que o garçom coloca pra você no seu restaurante favorito. 

Dispa-se! 

E o que você tem agora?
Lembre-se do abraço apertado que você ficou devendo para a sua família faz tempo.
Lembre-se daquela noite que você usou o crédito para pagar a cerveja no posto.
Lembre-se da sua esposa que você deixou de lado e não a beija como ela merece faz tempo.
Lembre-se das vezes que você bancou o juiz e condenou a pessoa errada.
Lembre-se dos seus erros e o que eles te ensinaram. 

Vista-se!


E agora, o que você tem?

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Rima-se



O mundo parou, sorriu, desandou ninguém te perguntou até aquele dia que você enfureceu e surtou

O passado já se foi, correu parou... o presente tá ai, vivo demais passando depressa e ficando pra trás.. jaz... não é mais...agora olha pra frente, rapaz!
Busca de verdade! o sonho que você deixou lá, naquele tempo...sagaz!

Não para de lutar!
Mundo não quer te ver sorrir, ele só que te ver chorar.
Da ibope, é melhor...
Assim como o preço alto do mesmo produto que nem é pior.

Não vacila, tiu!
Mostra pra porra do mundo tudo o que você sentiu!

Não desacredita não!
Oha pro céu, respira e bora pra mais uma missão. 

Fazer isso aqui é a parte mais fácil.
Viver que é o desafio e você nem tá ligado.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

O íntimo que morreu, mas não deixou de viver

Nossas cartas de amor deixaram de ser íntimas há algum tempo. Não escrevemos mais por amor, escrevemos para que os outros invejem e curtam o nosso amor. 

Aquele sincero e verdadeiro "Te amo" virou um "Amo-te" rebuscado e corretamente perfeito. Aquelas cartas antigas e intimas, se tornaram grandes textos preocupados com a estética, com as vírgulas, com os pontos. Tem de tudo gramaticalmente, menos o verdadeiro sentimento na palavra. 

Não acho errado demonstrar o amor, desde que ele seja verdadeiro e não para que os outros sejam obrigados a engolir nossos grandes conjuntos de palavras rebuscados e sem verdade. 

Perdemos o íntimo!

Nossas cartas sumiram e foram substituídas por fotos com paisagens exuberantes, onde apenas a paisagem é exuberante e nada mais. Até porque os lugares pintados como um quadro são possíveis de compra, mas sentimento é algo que se brota e é impossível de construir. 

Falo isso, porque recebi uma mensagem no meu maior grau de intimidade, e fiquei emocionado. 
Não me importei com vírgulas, pontos ou concordância. Mas me importei com aquilo que estava escrito e me pareceu tão real diante do meu próprio universo livre e solitário. Ninguém escreveu "ainnn", Ownnn","fofos" ou outras coisas. 

Eu determinei que era verdadeiro. Somente eu.

No maior grau de solidão e intimidade, aquela mensagem fez com que meu universo gigantesco e cheio de espaço ficasse preenchido.

Sem comentários e sem curtidas.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Artigo 157

Sim, eu sou um ladrão. Tudo começou bem pequenino quando percebi que poderia interferir no pensamento das pessoas. Minha mãe, minha avô, meu pai, minha irmã sofreram com  os ataques de um ser aparentemente inofensivo. No começo foi tudo involuntário, mas aquilo foi crescendo gradativamente.


Com o passar do tempo fui me apoderando de diversas mentes, como um vício. Era notório que cada pessoa que se aproximava,  saía com alguns pensamentos colocados propositalmente em sua cabeça. Na maioria das vezes, a influência era invisível e aquela opinião que você tanto defendia não era sua, mas sim minha.

Isso aconteceu porque eu sou um ladrão de mentes.

Em casos mais próximos, eu cheguei a comandar 90% do alvo fazendo acreditar que os nossos ideais eram parecidos, mas de alguma forma diferentes. Já disse e volto a repetir sou apenas um ladrão de mentes.

Tente recordar...

Sabe aquela discussão que você não tem ideia por que começou? Sabe aquele pensamento que você jamais descobriu o motivo de vir à tona?Se lembra daquele sentimento que você nunca entendeu e ficou com medo de expor? Fui eu que os coloquei  lá dentro.

E por que eu fiz isso? Porque, como foi dito anteriormente, eu sou um ladrão de mentes.

Vale a pena dizer que em momento algum eu tomei posse de uma criação sua, mas não se esqueça que essa criação somente surgiu porque em determinado momento eu estive ali. Tudo isso porque eu me tornei um ladrão de mentes.
Se houvesse uma justificativa para todas as minhas ações,  eu diria que comecei a roubar mentes para tentar diminuir e acabar com uma população demente.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A taça do mundo é nossa!

Eu que imaginei tantas vezes como seria na Copa.
Eu que me assustei e dei risada de um possível não vai ter Copa.
Eu que errei bem mais que acertei ao falar do evento. Já sinto falta dele.

A Copa do Mundo, que mudou a minha vida por um mês, vai deixar saudades.
Nesse tempo, talvez eu tenha trabalhado mais, talvez eu tenha ficado mais feliz, talvez eu tenha andado sem transito e talvez eu tenha me envergonhado também.

Agora tudo volta ao normal.
As caras sem sorrisos voltam ao seu lugar.
A pressa volta a reinar e as maquiagens copiadas de uma revista de moda voltam ao seu espaço.

Sim, como você eu também me preocupei com a isenção fiscal, com a corrupção, com a construção de estádios e com a falta de escolas e de hospitais.
Mas na hora H, eu me esqueci de tudo isso e sabe por quê? Não porque eu seja um alienado (como você costuma escrever),mas porque eu sou um apaixonado por futebol, um torcedor.

E torcedor é sempre movido pelo momento, emoção e pela paixão cega. E mesmo cego consegui enxergar que vender ingresso de forma “esquisita” pode virar um grande problema no Brasil. Consegui ver que apesar de não ter comida de sobra, o que se tem pode ser dividido. Pude perceber que a censura passa longe das terras Tupiniquins e que um sorriso na cara, um abraço e um aconchego valem mais do que o vocabulário exacerbado da Língua Universal.

Não, eu não me arrependo de ter contestado a Copa.

Não, eu não estou frustrado pelo evento ter funcionado tão bem diante dos olhos do mundo e dos nossos.

Sim, eu estou feliz!

Feliz pelo meu lado “intelectualóide” não ter acertado tudo o que previu, e principalmente por entendido que a política do “pão e circo” nunca chegou em solo canarinho, até porque nessa terra onde canta o sabiá sempre preferiram dar o pão como arma.

E o circo? Nesse ponto, cada um inventa a sua diversão…

Amigos da intelectualidade não me julguem… e deixem de copiar as piadas, ok?

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A lona do picadeiro

Nos dias de clássicos de futebol, o acordar já se torna diferente. Em dias de Palmeiras e Corinthians, o maior derby do Brasil e um dos maiores do mundo, o sono não é tão profundo e nem tão revitalizante assim.

E não me pergunte por que isso acontece, até porque eu não saberei te responder.

Sim, eu sei que enquanto nós gritamos aqui, eles recebem milhões dali.

 Eu sei, que enquanto as lágrimas escorrem pelo rosto do perdedor, uma festa está sendo programada entre os jogadores dos dois times. Sim, eu sei de tudo isso e mesmo assim o meu sono não consegue ser profundo.

 Volto a dizer, não há explicação para esse clássico e muito menos palavras que o defina de maneira satisfatória.

Até porque Em dias como esse, eu consigo entender de maneira clara, a política do pão e circo, que igual a lona do picadeiro protege de maneira exagerada a facilidade de manipular uma nação cegamente apaixonada por um esporte. Somente em dias como esse, o futebol deveria ser livre, apaixonante, frustrante, alegre, respeitoso, verdadeiro e lúdico como os palcos de teatro.

Doa a quem doer, ganhe quem ganhar, mas que essa dor nunca ultrapasse o ringue delimitado por quatro linhas, onde os guerreiros de verdade lutam para satisfazer a sua grande população.

Só em dias de Palmeiras e Corinthians, o mundo deveria parar por alguns minutos para que algumas pessoas consigam entender o que realmente acontece naqueles cinco mil e quatrocentos minutos da maior batalha do Brasil.

Sem mais.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Carta aberta ao céu

O tempo foi passando e a dor amenizando.
Sim, eu sei o coração foi confortando.
Talvez, o tempo tenha sido ingrato e fez com que a sua imagem quase desaparecesse da minha cabeça, mas nunca apagará o meu coração.

Os anos se passaram e o seu jeito foi ficando.
Você era tão grande,  e de tão grande que era, ainda se faz presente, quase que diariamente,  em todos os locais visitados.

Em cada copo de cerveja, no meu carro, no seu carro, na quadra, nos bares, nas brigas entre eu e você, nas pazes entre nós, nos conselhos, segredos, no afastamento, no encontro, no desencontro e na despedida, onde só nós poderíamos estar naquele momento e naquela hora.

Acho que desde daquele dia, eu não deixei de pensar em você um dia sequer.

Hoje não sofro mais por não ter você por perto, sofro por não conseguir aprender aquilo que somente você sabia me ensinar, mesmo quando eu não tinha vontade nenhuma de aprender.

Sinto falta da coragem, do coração gigantesco, da rebeldia, do orgulho, da humildade, da atenção, da falta dela, do respeito, do desrespeito, da consideração, da amizade, da fidelidade, do perdão, do abraço, do sonambulismo, do amor, do desamor, do sorriso, da tristeza...

Na verdade, meu caro irmão, eu aprendi a lidar com a presença que a sua ausência nos deixou.
Me perdoe, como tantas vezes perdoou, pelas lágrimas que escorrem pela minha face neste momento.

Eu só tinha intenção de dizer que você faz falta e que mesmo ausente ainda preenche os meus momentos de solidão.